Domingo, 18 de Abril de 2021
Bastidores 2021

Big Ideas 2021

As 20 grandes tendências que definirão o próximo ano

09/12/2020 17h37 Atualizada há 4 meses
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Por: Redação Fonte: linkedin
Big Ideas 2021
 

Ninguém previu como seria 2020. No final de 2019, economistas nos EUA falaram sobre a perspectiva de pleno emprego, esperávamos que o Brexit dominasse as manchetes na Europa, apostava-se na recuperação econômica do Brasil e o Japão estava prestes a abrir suas portas para o mundo como anfitrião dos Jogos Olímpicos.

Em vez disso, aconteceu a pandemia da Covid-19.

O coronavírus, descrito pela primeira vez em janeiro como uma doença misteriosa parecida com uma gripe que se espalhava pela China, paralisou a economia global. Milhões de pessoas perderam seus empregos – e mais de 1,5 milhão de pessoas perderam a vida. Muitos de nós fomos para casa e lá ficamos.

O ano de 2020 testou nossa resiliência, forçando o mundo a mudar rapidamente o modo como vive e funciona. Ao nos aproximarmos de 2021, com a tênue promessa de um pacote de vacinas, enfrentamos um novo teste: precisaremos decidir que tipo de mundo pós-pandemia queremos construir, para nós mesmos e para as gerações futuras.

Todo mês de dezembro, os editores do LinkedIn pedem à nossa comunidade de colaboradores frequentes para compartilhar os grandes temas que eles acreditam que definirão o ano seguinte. Em 2020, à sombra de um tipo de pandemia que ocorre uma vez por século, oferecemos uma seleção de previsões e pensamentos sobre nossos rumos a partir daqui – no trabalho, em casa e em qualquer lugar entre os dois.

Esta não é uma lista completa, e nós convidamos você a se juntar a nós! Quais grandes temas você acha que surgirão no próximo ano? Compartilhe suas ideias nos comentários ou publique uma postagem, um artigo ou um vídeo no LinkedIn com a hashtag #BigIdeas2021. — Scott Olster.

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1. Novos métodos de construção vão absorver – e não emitir – CO2

Em 2017, a ONU calcula que prédios, métodos de construção e suas fontes de energia responderam por 39% das emissões globais de dióxido de carbono relacionadas à energia. Esse número é alarmante, na visão de Kate Simonen, chefe do departamento de arquitetura da Universidade de Washington. No entanto, ela é otimista quanto a alternativas para aliviar a carga sobre o meio ambiente – e reduzir essa porcentagem.

Resíduos da agricultura ricos em carbono, tais como cascas de arroz, podem ser usados no interior de carros ou como material para substituir o cimento, o que permite "sequestrar" o carbono de forma segura. Outra opção: pesquisar bactérias capazes de criar novas variações para o concreto. A comercialização em grande escala desses tijolos e blocos verdes (eles realmente são verdes) ainda pode demorar anos, segundo Simonen, mas projetos de laboratório já mostraram que os processos biológicos necessários para a sua realização funcionam bem. Como um primeiro passo para 2021, ela prevê que pelo menos mais um estado norte-americano vai se somar à Califórnia na adoção de padrões para calcular o impacto incorporado do carbono em grandes projetos de construção. 

No Brasil, cerca de 1450 edificações são certificadas pelo LEED, selo para construções sustentáveis concedido pela organização não-governamental United States Green Building Council. Em 2019, o país ocupava o 4º lugar entre dez países e regiões fora dos Estados Unidos com maior área certificada pelo selo.

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2. Ondas de calor terão nomes, assim como furacões e ciclones

 A última década foi a mais quente da história e, só nos últimos meses, vários recordes de calor foram quebrados ao redor do mundo: Death Valley, nos Estados Unidos, superou 54,4 graus Celsius; a Sibéria e a Europa atingiram várias vezes temperaturas 7 graus e 2 graus Celsius acima das suas médias, respectivamente; e ondas de calor extremo na Austrália causaram as piores queimadas já vistas no país. O Brasil registrou uma onda histórica de calor em 2020 entre o fim de setembro e a primeira quinzena de outubro, e a maior temperatura já registrada oficialmente no país foi atingida nos dias 4 e 5 de de novembro de 2020, em Nova Maringá (MT), onde os termômetros marcaram o recorde de 44,8°C.  

Na virada do século, sem medidas preventivas, as ondas de calor deverão afetar 75% da população mundial e mais de 3,5 bilhões de pessoas até 2070, das quais 1,6 bilhão viverá em densas áreas urbanas nas quais a superfície construída de prédios intensifica a exposição ao calor. Nenhuma parte do planeta estará a salvo dos efeitos.

As ondas de calor não arrancam "dramaticamente" os telhados dos prédios: o que elas deixam em seu rastro não pode ser fotografado e nem transmitido pela TV como ocorre com queimadas, furacões ou enchentes. Porém, os seus efeitos não são menos nocivos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o calor extremo mata mais pessoas do que qualquer outro evento climático anualmente. 

Desde os anos 1950, nós damos nomes às tempestades tropicais e aos furacões. Batizar ondas de calor deve criar uma cultura de conscientização e preparação para os riscos e impactos do calor, além de estimular a busca por recursos necessários para proteger e salvar vidas. Em 2021, nós vamos chamar ondas de calor por nomes, assim como fazemos com tempestades e furacões, e o calor extremo deixará de ser um causador silencioso de mortes. — por Kathy Baughman McLeod, diretora do Adrienne Arsht-Rockefeller Foundation Resilience Center do Atlantic Council.

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3. Nós iremos alterar o mapa das cidades...

A pandemia vai mudar a cara das cidades e deve remodelar esses espaços para tornar a vida urbana mais sustentável. Prefeitos ao redor do mundo estão começando a colocar o modelo da "cidade de 15 minutos" no centro dos seus planos de retomada. A premissa por trás do modelo é que os moradores da cidade tenham tudo de que precisam (locais de trabalho, bares, restaurantes, lojas, escolas, saúde e lazer) nos limites de uma viagem de 15 minutos – a pé ou de bicicleta – a partir das suas casas. A quarentena imposta pela pandemia provou que o home office é possível, e desafiou a ideia de que as cidades precisam ser divididas em áreas para trabalhar ou para morar. Além disso, uma parte da população urbana experimentou uma vida com menos carros e mais bicicletas nas ruas. 

A partir de agora, "o gênio saiu da garrafa". No ano que vem, poderemos ver ciclovias temporárias ou outras mudanças na infraestrutura que foram implementadas de forma provisória durante a pandemia se tornarem permanentes. Ideias "de nicho" como os super blocos para pedestres de Barcelona podem virar mainstream. "Acredito que uma nova filosofia de trabalho acabará se misturando com ideias para cidades inteligentes. As empresas terão espaço de trabalhos menores, mais próximos das casas das pessoas", diz Frederik Anseel, professor de gestão na Universidade de New South Wales. Isso irá virar a ideia tradicional da cidade — na qual pequenas comunidades se formam ao redor de um único centro — de cabeça para baixo. "Grandes cidades como Paris, Londres e Sydney poderão se tornar vastas áreas urbanas constituídas de algumas comunidades menores, cada qual com o seu próprio centro", explica Anseel. "E, como vai haver menos concentração em uma única área central, os preços dos imóveis deverão ser ajustados". 

Em entrevista ao UOL, o professor Victor Andrade, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que não há exemplos no Brasil que oficialmente usem o título de “cidades de 15 minutos”, mas que há iniciativas nesse sentido no país, como o plano diretor em São Paulo. Incentivos a fachadas ativas e estímulos à moradia no centro, por exemplo, já estão em curso, ainda que sem uma diretriz nacional.

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4. ...e começar a planejar cidades para refugiados escaparem das mudanças climáticas

No ano que passou, o mundo ficou concentrado na pandemia e seus efeitos para as vidas de todos nós, e por um bom motivo. Mas uma ameaça ainda maior pode mudar nosso modo de vida – inclusive no Brasil – de uma forma menos rápida, porém mais permanente: a mudança climática. O aquecimento global já força cerca de 20 milhões de pessoas a fugir de suas casas todos os anos. Combinado com o crescimento da população, o aumento das temperaturas pode levar três bilhões de pessoas — um terço da população estimada do planeta – a viver em condições "impróprias para a vida" até 2070. 

O resultado inevitável será a migração em massa para "refúgios climáticos" ou para cidades protegidas dos extremos climáticos com capacidade para crescer. A preparação para esse futuro não pode mais ser adiada. Líderes políticos, membros da comunidade científica, ONGs e organizações de jovens vão se reunir para discutir o assunto na primeira Cúpula de Adaptação Climática já realizada no mundo em janeiro de 2021. À medida que as cidades pelo mundo desenvolvem planos de ação para o clima, deveremos ver mais projetos imobiliários no modelo "zero carbono" e mais cinturões verdes substituindo o asfalto. "A pergunta que deveríamos estar nos fazendo agora é sobre como proteger os cidadãos mais vulneráveis", diz Greg Lindsay, diretor de pesquisa aplicada na ONG NewCities Foundation. "Precisamos pensar em como desenvolver mecanismos de estímulo para atrair as pessoas para longe das áreas de alto risco".

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5. A retomada econômica em "K" fará as empresas cortejarem os mais ricos

A pandemia criou um "conto das duas cidades", diz o investidor e filantropo David Rubenstein ao LinkedIn Notícias: "As pessoas no topo estão se dando incrivelmente bem; as demais estão ficando cada vez mais e mais para trás". 

No Brasil, estudos mostram que a pandemia acentuou ainda mais o abismo social: os 40% mais pobres perderam 32% da renda com a pandemia, enquanto a queda para os 10% mais ricos foi de 3%, de acordo com um levantamento da PUCRS em parceria com o Observatório das Metrópoles e Observatório da Dívida Social na América Latina.

Como essa bifurcação na forma da letra "K" deve continuar ocorrendo no período pós-pandemia, as empresas serão obrigadas a "seguir o dinheiro" se quiserem crescer – ou mesmo sobreviver. Como manter salas de cinema que têm ficado praticamente vazias? Projeções particulares podem ser a saída, como indicam os testes feitos pela norte-americana AMC e outras redes de cinema. Redes de hotéis estão buscando se aproximar de profissionais com alto poder aquisitivo que buscam escritórios privados com vista para a praia, uma tendência que pode continuar ao longo dos anos. Até lojas especializadas em vender produtos baratos passaram a mirar consumidores mais ricos. "A demanda por esse tipo de loja é muito relevante hoje, e deve continuar a crescer", afirma Emily Taylor, diretora de merchandising da norte-americana Dollar General, a respeito da nova marca do grupo, chamada Popshelf, direcionada a clientes com maior poder aquisitivo. 

À medida que as empresas buscam consumidores endinheirados, as suas estruturas operacionais também devem mudar, de acordo com David Hunt, CEO da PGIM, empresa de investimentos de US$ 1,4 trilhão. "Empresas ao redor do mundo estão abandonando recursos que historicamente as definiram – fábricas, máquinas, escritórios regionais transbordando de funcionários", diz ele ao LinkedIn Notícias. A partir de agora, os negócios deverão investir cada vez mais em propriedade intelectual, softwares, plataformas online, dados protegidos e algoritmos – o que for necessário para acompanhar e encontrar os consumidores do futuro onde quer que eles estejam. Os dados do LinkedIn mostram as contratações de executivos dedicados a encontrar esses clientes, tais como chief growth officers e chief revenue officers, estão em alta.

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6. A pandemia levará mais mulheres à diretoria das empresas

A crise da Covid-19 tem sido catastrófica para as mulheres – sobretudo para aquelas que pertencem a minorias, têm baixa renda ou são mães solo. As demissões têm se acumulado em setores que empregam proporcionalmente mais mulheres e o fechamento das escolas levam muitas mães economicamente ativas a abandonar seus empregos. No Brasil, em meio à crise, a participação das mulheres no mercado de trabalho atingiu o menor patamar em 30 anos.

Porém, em meio a essas dificuldades, surgem sinais de uma mudança na liderança das empresas. Segundo dados do LinkedIn, mais mulheres têm sido alçadas a posições de comando executivo durante a pandemia, apesar da queda nas contratações para esse nível hierárquico. Essa tendência deve continuar, já que a pandemia demonstrou a importância de liderar com empatia e necessidade de apoiar a diversidade de talentos. "Às vezes nada acontece por décadas, e às vezes décadas acontecem no espaço de uma semana. Estamos nessa situação", afirma Lorraine Hariton, CEO da Catalyst, sobre o progresso que está vislumbrando para o futuro. 

Também há mais CEOs mulheres do que nunca na lista Fortune 500. Durante a pandemia, Jane Frase se tornou a primeira CEO mulher de um grande banco de Wall Street, enquanto Karen Lynch virou CEO da maior empresa do mundo no setor de saúde, a CVS Health. No Brasil, exemplos recentes incluem Andrea Napolitano, que se tornou a 1ª mulher a assumir a presidência da Gomes da Costa, e Michele Robert, que se tornou a 1ª vez a mulher no comando de uma das operações industriais da Gerdau

Segundo especialistas, esses casos mostram que colocar mais mulheres em posições de liderança se tornará uma prática obrigatória para as corporações mais competitivas. "Não vamos voltar ao normal", diz C. Nicole Mason, CEO do Institute For Women’s Policy Research. "Queremos ver mudanças na visibilidade das mulheres no ambiente de trabalho. Nós somos metade da força de trabalho".

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7. Os escritórios vão precisar nos conquistar de volta

Depois de um ano de trabalho remoto, as dinâmicas de poder mudaram. As empresas precisarão dar aos funcionários um motivo para voltar ao escritório. Uma opção disponível? Espaços desenhados para aquilo de que todos estamos sentindo falta: conexão humana, e talvez um pouco de descanso e relaxamento também. 

"As pessoas sentem falta de outras pessoas. O contato presencial entre as pessoas tem um valor inestimável", diz Liz Burow, ex-VP de estratégias para o ambiente de trabalho da WeWork. Segundo Burow, os escritórios irão funcionar de duas maneiras principais: como espaços em que as pessoas se reúnem para desenvolvimento pessoal, liderança e cultura; e como 'clubes' em que elas se juntam para colaborar e confraternizar. De qualquer maneira, não vamos mais nos encontrar cinco dias por semana como no passado. 

A transformação não será apenas filosófica; ela também será física.  

Lugares designados para se sentar deixarão de existir, afirma Brittney Van Matre, diretora de estratégias e operações para o ambiente de trabalho da Nike. Pesquisas da Nike mostram que os funcionários querem trabalhar em um escritório, mas só duas vezes por semana. E, quando voltarem, eles desejam que o espaço seja colaborativo. Segundo ela, o design dos escritórios precisa acomodar esse modelo de "trabalho baseado em atividades" – o termo para ambientes flexíveis que se adaptam a diversas necessidades.

Mas espaços colaborativos podem não ser suficientes para atrair as pessoas de volta, alerta Van Matre. Ela acredita que as empresas deveriam conquistar os funcionários seja com "escritórios fantásticos com muitos mimos e uma experiência realmente agradável" ou com "uma experiência única que você não pode encontrar em nenhum outro lugar". Van Matre sugere que as empresas considerem instalações alternativas em locais incomuns, como áreas rurais ou com paisagens mais associadas ao lazer, que criem um "espaço de alívio" capaz de atrair os funcionários.

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8. A rotina de trabalho será mais remota e flexível

Os líderes empresariais estão repensando como suas empresas trabalharão em um mundo pós-pandemia. Uma das maiores questões que eles enfrentarão é onde – e quando – os funcionários poderão trabalhar. 

Quando for seguro voltar ao escritório, muitos colaboradores terão passado um ano ou mais trabalhando em suas casas – e muitos têm aproveitado o tempo extra e a flexibilidade que o home office oferece. As empresas poderão deixar os funcionários trabalharem de casa dois ou mais dias por semana, ou optar por três dias no escritório, dois dias remotos e depois dois dias de folga – uma semana de trabalho 3-2-2, destaca Ashley Whillans, professora da Harvard Business School. Alguns empregadores podem até reduzir a jornada de trabalho para apenas quatro dias.

"Os funcionários desejarão maior flexibilidade e as organizações exigirão isso", disse Whillans. "O aspecto desta flexibilidade irá variar dependendo do setor e da localização geográfica. Mas, espera-se que, se fizermos isso corretamente, as viagens de ida e volta ao escritório se tornem ultrapassadas".

Dados recentes do Índice de Confiança do Trabalhador do LinkedIn mostram que 46% das pequenas empresas no Brasil têm chance de adotar um modelo híbrido de trabalho no futuro pós-pandemia. Entre negócios de maior porte, com mais de 10 mil funcionários, a taxa é de 29%.

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9. Mergulharemos ainda mais no ambiente virtual

2020 ficará marcado como o ano em que muitos de nós nos inserimos no mundo virtual por necessidade, já que o distanciamento social forçou milhões de pessoas a trabalharem, estudarem e se relacionarem remotamente. Espere que 2021 leve a tecnologia a outro nível, com um crescimento contínuo e aceitação de mundos digitais como substitutos viáveis para experiências e conexões presenciais. Empresas como a Epic, com o seu popular jogo Fortnite, bem como a empresa de experiência imersiva Unreal, trarão eventos sociais como shows e esportes em larga escala para o mundo virtual através da tecnologia de realidade aumentada. Ambientes colaborativos de jogos e programação, como Roblox, reunirão comunidades em busca de conexão social.

Podemos esperar que o crescimento e a maturidade dos ambientes virtuais também influenciarão a atividade econômica. Os ativos digitais baseados em blockchain ganharão força, incentivando a crescente adoção de mercados financeiros descentralizados para pagamentos e comércio. A realidade virtual aumentada também ganhará uma adoção mais ampla, especialmente à medida que a Apple se aproximar do lançamento de seus próprios óculos AR. E as transações financeiras serão elaboradas nestes sistemas de hardware, mudando a natureza dos bancos e as expectativas dos consumidores. — por <em style="box-sizing: inherit; margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; font-size: 0.975em; vertical-align: baseline; background: transparent; outline: 0px; font-styl

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